WWF Portugal inicia intervenção na Trafaria para proteger populações de cavalos-marinhos

Em colaboração com a MARDIVE, a WWF Portugal inicia na Trafaria a D-EVOLUÇÃO, uma iniciativa de restauro ecológico que pretende recuperar habitats por todo o país e, no caso do Estuário do Tejo, proteger as populações de cavalos-marinhos.
© Mário Rolim

A WWF Portugal assinala o arranque da intervenção da iniciativa D-EVOLUÇÃO no Estuário do Tejo, um dos nove locais prioritários identificados pela organização para ações de restauro ecológico em Portugal. A intervenção será marcada pela instalação dos abrigos subaquáticos destinados a beneficiar as populações de cavalos-marinhos da Trafaria, depois de vários meses de trabalho científico, diagnóstico e envolvimento da comunidade, bem como da validação da intervenção com os pescadores locais.

Esta intervenção resulta de uma parceria técnico-científica entre a WWF Portugal e a MARDIVE – Associação Ciência e Educação para a Conservação da Biodiversidade Marinha, e conta com o financiamento principal do Lidl Portugal, o apoio financeiro da marca Oliveira da Serra e dos Pastéis de Belém, o contributo de dezenas de doadores individuais e a colaboração de diversas entidades. Em conjunto, estes parceiros contribuem para um objetivo comum: restaurar a natureza e proteger a biodiversidade do Estuário do Tejo.

O Estuário do Tejo é o maior estuário de Portugal e uma das zonas húmidas mais importantes da Europa. Na frente ribeirinha da Trafaria vive uma população particularmente relevante de cavalos-marinhos, composta pelas espécies cavalo-marinho-comum (Hippocampus hippocampus) e cavalo-marinho-de-focinho-comprido (Hippocampus guttulatus). Esta é uma das populações com maior densidade conhecida na sua área de distribuição, incluindo alguns dos maiores indivíduos alguma vez registados. No entanto, o habitat estuarino que ocupam encontra-se muito degradado face às múltiplas ameaças locais, como o lixo marinho, a poluição e o ruído subaquático.

Com o propósito de melhorar a saúde deste ecossistema e proteger a comunidade de cavalos-marinhos residentes e a biodiversidade local, a WWF Portugal promove esta intervenção no âmbito da D-EVOLUÇÃO, a sua iniciativa nacional de restauro ecológico, que procura devolver à natureza aquilo que foi perdido, através de ações concretas de recuperação dos ecossistemas.

Nesta primeira fase serão instalados nove abrigos subaquáticos distribuídos por três locais distintos na baía da Trafaria. Desenvolvidas a partir do conhecimento científico recolhido pela MARDIVE sobre os cavalos-marinhos na margem sul do estuário, estas estruturas foram concebidas para criar zonas de abrigo e fixação alternativa para os animais, contribuindo para reforçar as condições ecológicas do seu habitat e lançando as bases para futuras ações de limpeza e restauro ao nível do seu habitat.

A participação da comunidade local é um dos pilares centrais desta intervenção. Em ações preparatórias para a instalação dos abrigos, foram realizadas várias entrevistas comunitárias, assim como uma sessão de esclarecimento para apresentar os objetivos do projeto, recolher contributos dos diferentes intervenientes e reforçar o envolvimento da população. Em paralelo, a escolha dos locais para fixar as estruturas ao fundo estuarino foi validada em conjunto com pescadores locais, valorizando o conhecimento adquirido ao longo de gerações por quem vive, usa e trabalha diariamente nestas águas.

“A proteção da natureza exige mais do que ambição: exige ação concreta, conhecimento científico e trabalho lado a lado com as comunidades locais. É necessário um esforço continuado no envolvimento das comunidades, mobilizar novos parceiros e fontes de financiamento que assegurem a continuidade das ações no terreno e o seu impacto a longo prazo”, afirma Ângela Morgado, Diretora Executiva da WWF Portugal.

“No Lidl Portugal acreditamos que a proteção da natureza exige compromisso, investimento e ação. Apoiar a intervenção da WWF Portugal no Estuário do Tejo é contribuir para a valorização de um património natural único e para a concretização de soluções que unem conhecimento científico, envolvimento comunitário e conservação da biodiversidade. É com orgulho que acompanhamos mais uma etapa da D-EVOLUÇÃO e do impacto positivo que esta iniciativa procura gerar para o território e para as gerações futuras”, afirma Vanessa Romeu, Head of Corporate Affairs do Lidl Portugal.

A iniciativa D-EVOLUÇÃO conta com um conjunto alargado de parceiros institucionais a nível nacional, entre os quais a APA – Agência Portuguesa do Ambiente, o BCSD Portugal (Conselho Empresarial para o Desenvolvimento Sustentável), o CEABN – Centro de Ecologia Aplicada “Professor Baeta Neves”, o FSC Portugal, o GRACE – Empresas Responsáveis e o ICNF – Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas. No Estuário do Tejo, o parceiro técnico-científico é a MARDIVE – Associação Ciência e Educação para a Conservação da Biodiversidade Marinha. A intervenção beneficia ainda do apoio local da EDA – Ensaios e Diálogos Associação e do apoio institucional da APL – Administração do Porto de Lisboa, da Câmara Municipal de Almada, da Docapesca – Portos e Lotas, S.A., do ICNF / Direção Regional de Conservação da Natureza e Florestas de Lisboa e Vale do Tejo (DRCNF LVT), e da Junta da União das Freguesias de Caparica e Trafaria, contando-se que esta rede de colaboração continue a crescer com a integração de novas entidades e parceiros comprometidos com a conservação e o restauro dos ecossistemas costeiros e marinhos.