WWF Portugal fortalece ações de restauro com visita do Secretário de Estado do Ambiente
23 Março 2026
O Parque Nacional da Peneda-Gerês recebeu, na passada sexta-feira, 20 de março de 2026, a visita do Secretário de Estado do Ambiente, João Manuel Esteves, do Presidente da Câmara Municipal de Ponte da Barca, Augusto Marinho, da Diretora Regional da Conservação da Natureza e Florestas (ICNF) do Norte, Sandra Sarmento, e do Presidente da Junta de Freguesia de Lindoso, Secundino Fernandes, no âmbito dos trabalhos de restauro ecológicos que estão ser conduzidos pela WWF Portugal no Lindoso.
Esta visita marca a passagem do compromisso à ação no terreno: após uma fase preparatória, estão já em curso as primeiras plantações e trabalhos de gestão da vegetação, dando início a um programa plurianual de restauro ecológico irá estender-se por pelo menos cinco anos.
No terreno, os participantes acompanharam intervenções numa das parcelas financiadas pelo Lidl Portugal, que combinam recuperação de zonas afetadas por incêndio, gestão seletiva de matos e plantação de espécies autóctones como carvalho-alvarinho, bétula, azevinho e pilriteiro. O investimento total do Lidl Portugal ascende a cerca de 179 mil euros, com execução prevista até 2030.
Estas ações procuram acelerar a regeneração natural e reforçar a resiliência da paisagem. Em cerca de 1,84 hectares, será apoiada a recuperação da floresta autóctone através da plantação de aproximadamente 800 árvores. Nos restantes 28 hectares, a intervenção centra-se na gestão seletiva da vegetação, criando descontinuidades que reduzem a propagação do fogo e favorecem a regeneração de espécies já presentes.
No terreno, o técnico de restauro ecológico da WWF Portugal, José Pedro Ramião, explicou que as intervenções variam consoante as condições de cada parcela. Em áreas mais afetadas pelos incêndios, nas quais a regeneração natural é mais limitada, torna-se necessária a plantação para restabelecer a estrutura florestal. Noutras zonas, a abordagem passa por gerir o mato de forma seletiva, mantendo o seu papel ecológico, mas reduzindo a sua continuidade e densidade. “Ao quebrar a continuidade da vegetação, diminuímos a intensidade potencial de futuros incêndios e criamos condições para que espécies como carvalhos e azevinhos se desenvolvam”, reforçou.
O técnico sublinhou ainda que estas intervenções contribuem para melhorar a infiltração de água, estabilizar o solo e aumentar a matéria orgânica, promovendo habitats importantes para várias espécies. Em áreas junto a linhas de água, a recuperação da componente arbórea assume particular importância para reduzir a erosão do solo.
Para Catarina Grilo, Diretora de Conservação e Políticas da WWF Portugal, “o restauro ecológico tornou-se uma das ferramentas mais poderosas para travar a perda de biodiversidade, recuperar a funcionalidade dos ecossistemas e aumentar a resiliência dos territórios às alterações climáticas. Mas nenhuma lei, plano ou projeto tem impacto se não for construído com quem vive o território. É essa colaboração, entre entidades públicas, incluindo o ICNF, parceiros privados e comunidades locais, que permite que a natureza recupere e volte a ganhar força”.
A visita terminou junto à área de plantação, onde os membros da governança plantaram alguns espécimes, simbolizando o início de uma nova fase de trabalho continuado no território, com o objetivo de reforçar a resiliência ecológica do Gerês e contribuir para as metas nacionais e europeias de recuperação da natureza.
Lançada em 2025, a iniciativa nacional de restauro da WWF Portugal visa recuperar ecossistemas degradados em várias regiões do país, mobilizando empresas, cidadãos e decisores públicos para um esforço coletivo de recuperação da natureza. A intervenção no Parque Nacional da Peneda-Gerês é a primeira a avançar no âmbito desta iniciativa, e prevê restaurar até 140 hectares nesta área ao longo dos próximos anos. Estão ainda previstas, numa primeira fase, intervenções na Serra do Caldeirão e no Estuário do Tejo. No total, a WWF Portugal prevê mobilizar cerca de 1,8 milhões de euros até 2030 para ações de restauro da natureza, reforçando a escala e o impacto das intervenções no território.
A iniciativa conta com o apoio de empresas como Lidl Portugal, IKEA, Grupo Brisa, OCP Portugal, KPMG, Bel, Marriott Lisbon e EDP, bem como com o envolvimento de parceiros institucionais, incluindo o ICNF, a Agência Portuguesa do Ambiente, BCSD Portugal, GRACE e FSC Portugal, e ainda com o contributo de cidadãos, consolidando um movimento nacional para o restauro da natureza em Portugal.