WWF Portugal exige mais investimento no restauro da natureza que estará no centro das suas prioridades em 2026-2030
3 Março 2026
A WWF Portugal assinala o seu primeiro aniversário enquanto escritório nacional com um compromisso reforçado com o restauro ecológico e anunciando um investimento de 1,8 milhões de euros nesta área, num contexto em que o país continua a investir abaixo do necessário no restauro da natureza e na adaptação às alterações climáticas. A celebração vem acompanhada da publicação de um primeiro relatório de ação referente ao ano de 2025 e que evidencia um trabalho consistente, rigoroso e mobilizador em prol da conservação e restauro da natureza em Portugal.
“Acelerar a conservação da natureza e o restauro ecológico, reforçar a resiliência do território e integrar a natureza nas decisões públicas e privadas: é este o caminho para conseguir resultados mensuráveis e construir, com parceiros e comunidades, um futuro em que as pessoas vivam em harmonia com a natureza. O ano de 2025 marcou uma nova etapa na afirmação da WWF no país, reforçando a nossa capacidade de influenciar políticas públicas, mobilizar a sociedade e acelerar soluções concretas de restauro da natureza, e é esse o caminho que continuamos a trilhar em 2026, num contexto ainda mais desafiante para Portugal e para o mundo”, considera Ângela Morgado, Diretora Executiva da WWF Portugal.
2026: um novo normal climático exige respostas estruturais baseadas na natureza
A entrada em 2026 ficou marcada por sucessivas tempestades, com precipitação intensa, ventos fortes, cheias, deslizamentos de terras e danos significativos para populações, infraestruturas e ecossistemas, fenómenos que já não podem ser considerados excecionais.
A ciência é clara: o aquecimento global está a aumentar a intensidade dos eventos extremos, colocando Portugal – um dos países europeus mais vulneráveis às alterações climáticas – perante um novo normal climático.
Antecipando este cenário, a WWF Portugal alerta que o país continua a investir abaixo do necessário em restauro da natureza e adaptação climática e, consequentemente, na prevenção estrutural de riscos. O restauro da natureza surge como uma das soluções mais eficazes, custo-eficientes e duradouras para aumentar a resiliência do território. Restaurar rios, zonas húmidas, florestas autóctones e ecossistemas costeiros não é apenas uma medida ambiental: é uma estratégia de proteção civil, segurança hídrica, saúde pública e estabilidade económica, sabendo-se hoje que cada euro investido em restauro da natureza pode gerar retorno em benefícios socioeconómicos entre 8€ e 38€ (dados da Comissão Europeia).
A ONGA reforça que investir na natureza é investir em saúde pública, bem-estar e coesão social. Num contexto de pressões económicas, geopolíticas, e climáticas crescentes, torna-se essencial garantir financiamento estável para a conservação e restauro da natureza, diversificar fontes de apoio – incluindo instrumentos financeiros verdes – e fortalecer redes locais de monitorização e capacitação técnica.
Estratégia de Conservação da WWF Portugal para 2026-2030
Partindo desta visão, a WWF Portugal apresenta no seu primeiro relatório anual a sua Estratégia de Conservação 2026-2030, que define como eixos prioritários de ação o Restauro de Ecossistemas, a Conservação de Espécies, os Sistemas Alimentares Sustentáveis, o Clima, as Pessoas, e Elevar a Natureza nas decisões públicas e privadas.
Estes eixos aplicam-se na ação climática e conservação de ecossistemas terrestres – através do incentivo à prevenção estrutural de incêndios em paisagens florestais, recuperação de solos e melhoria do estado ecológico dos rios, promoção do pastoreio para controlo de vegetação, plantação de espécies autóctones e controlo de invasoras, remoção de barreiras fluviais obsoletas e reabilitação de margens ribeirinhas e soluções baseadas na natureza para retenção hídrica – e nos ecossistemas costeiros e marinhos através do restauro de sapais e pradarias marinhas, desenvolvimento responsável do mercado voluntário de carbono azul, e na defesa de uma implementação qualificada da Meta 30×30 no mar, com áreas marinhas protegidas eficazmente geridas e monitorizadas.
“Estes são os compromissos da WWF Portugal, mas sabemos que não conseguiremos fazer este trabalho sozinhos. A conservação e o restauro da natureza enfrentam desafios centrais que exigem o compromisso de todos, o financiamento adequado e estável, o reforço da capacidade no território, a monitorização contínua e envolvimento das comunidades. Enquanto ONG, contamos com o apoio de empresas e cidadãos na realização deste desígnio de despertar o país para colocar a natureza no centro de todas as decisões; ao Estado caberá dar o exemplo, colocando a natureza como prioridade estratégica de modo a garantir um futuro estável e próspero para o país, para todas as pessoas”, conclui Ângela Morgado.