WWF Portugal alerta que inação face ao risco de cheias tem custos elevados
1 Outubro 2026
No Dia Nacional da Água, a WWF Portugal lança análise onde reúne lições aprendidas com as tempestades que ocorreram no início do ano e soluções para reduzir o risco de futuras cheias. A organização identifica as prioridades para tornar Portugal mais resiliente a inundações e reforça a urgência de investir na prevenção.
Por ocasião do Dia Nacional da Água, a 1 de outubro, a WWF Portugal lança o documento de posição “O Que as Tempestades Nos Ensinaram“, uma reflexão sobre as causas e consequências das cheias que afetaram várias regiões do país no inverno de 2026, e um apelo à adoção de medidas preventivas que protejam pessoas, infraestruturas e ecossistemas.
As tempestades registadas entre janeiro e fevereiro de 2026 provocaram elevados prejuízos humanos, sociais e económicos, reacendendo o debate sobre a forma como Portugal gere o risco de cheias. Neste novo documento, a WWF Portugal defende que a resposta não passa apenas por mais obras hidráulicas ou intervenções de emergência, mas sobretudo por uma abordagem preventiva que trabalhe com a natureza e reduza a exposição ao risco.
“O impacto das tempestades não depende apenas da quantidade de chuva que cai. Depende também das escolhas que fazemos na forma como ocupamos o território, gerimos os rios e nos preparamos para fenómenos extremos. Quando ignoramos os limites naturais das bacias hidrográficas, aumentamos inevitavelmente a vulnerabilidade das pessoas e das comunidades”, afirma Afonso do Ó, Consultor de Água, Clima e Restauro Ecológico da WWF Portugal.
Segundo a organização, a crescente ocupação de zonas inundáveis, a impermeabilização dos solos, a alteração dos cursos de água, algumas práticas agrícolas intensivas e a insuficiente preparação para fenómenos extremos estão entre os principais fatores que contribuem para aumentar os impactos das cheias. O agravamento das alterações climáticas vem reforçar esta tendência, tornando mais frequentes e intensos os eventos extremos de precipitação.
O documento apresenta um conjunto de recomendações para reduzir o risco de futuras inundações, incluindo a proteção e recuperação de zonas inundáveis, a devolução de espaço aos rios, o reforço da retenção natural de água nas paisagens agrícolas, a implementação de
sistemas de drenagem urbana sustentável, a execução dos planos municipais de adaptação às alterações climáticas e o reforço dos sistemas de alerta e resposta.
“O risco de cheias não pode continuar a ser gerido apenas quando a emergência acontece. As cheias não são inevitáveis e a inação tem custos ainda maiores. A prevenção é urgente: precisamos de devolver espaço aos rios, respeitar as zonas inundáveis e preparar melhor os territórios para um clima em mudança”, reforça Afonso do Ó.
Para a WWF Portugal, a água deve ser encarada não apenas como um recurso essencial, mas também como um elemento que exige uma gestão integrada e preventiva. Assinalar o Dia Nacional da Água é, por isso, uma oportunidade para recordar que investir em prevenção é mais eficaz e menos dispendioso do que apenas responder aos danos após a ocorrência de catástrofes. O documento completo está disponível aqui.