Empresas Europeias defendem Transição Ambiental

WWF inquere empresas europeias e a mensagem é clara: 9 em cada 10 líderes empresariais consideram que a transição para uma economia sustentável reforça a competitividade, contrariando a ideia de que enfraquecer a legislação ambiental contribui para o crescimento económico.

WWF inquere empresas europeias e a mensagem é clara: 9 em cada 10 líderes empresariais consideram que a transição para uma economia sustentável reforça a competitividade, contrariando a ideia de que enfraquecer a legislação ambiental contribui para o crescimento económico.

A ideia de que a União Europeia (UE) deve enfraquecer as regras ambientais para se manter competitiva não é apoiada pelas empresas europeias, segundo um novo inquérito – “Beyond Uncertainty” – da GlobeScan a líderes empresariais seniores sobre a relação entre sustentabilidade e competitividade, encomendado pela WWF.

Pelo contrário, nove em cada dez líderes empresariais (91%) consideram que a transição para uma economia de baixo carbono e ambientalmente sustentável reforça a competitividade da UE a longo prazo. Entretanto, mais de metade (55%) afirma que os recentes esforços de “simplificação” da UE tiveram um impacto negativo ou neutro nas suas empresas.

“A desregulamentação não vai salvar a Europa da crise climática e as empresas já perceberam isso”, afirma Sofia Almeida, Técnica de Políticas da WWF Portugal. “Este verão foi um doloroso lembrete de que a Europa já está a pagar o preço do colapso climático, com custos económicos enormes. As empresas estão a deixar uma mensagem clara a Bruxelas: enfraquecer as políticas de sustentabilidade só tornará a Europa menos competitiva”.

Para os líderes empresariais inquiridos, manter o rumo da transição ecológica da UE é uma prioridade económica, apontando para uma menor exposição aos riscos climáticos e de perda de natureza, maior segurança energética e de recursos, bem como custos mais estáveis e previsíveis.

Os custos económicos da inação climática já estão a afetar a Europa. O calor extremo deste verão poderá reduzir o PIB da UE em cerca de 1% em 2026 devido aos danos económicos associados.

Ao mesmo tempo, a Comissão Europeia estima que o custo de não implementar plenamente a legislação ambiental existente ronda os 180 mil milhões de euros por ano. Este valor é dez vezes superior aos 17 mil milhões de euros em poupanças administrativas anuais que,

segundo a Comissão, foram alcançadas até agora através dos seus esforços de simplificação.

O inquérito conclui ainda que as recentes tentativas de reabrir e rever legislação ambiental estão a gerar incerteza para muitas empresas. Apenas 29% dos líderes empresariais reportaram impactos positivos das recentes iniciativas da UE destinadas a simplificar a legislação.

Entre aqueles que reportaram impactos negativos ou neutros, a consequência mais frequentemente apontada foi o aumento da incerteza quanto à futura orientação das políticas da UE (57%), a par de investimentos desperdiçados na preparação para o cumprimento de requisitos legais e de um enfraquecimento do racional económico para a sustentabilidade.

Questionadas sobre o que a UE deve priorizar para aumentar a competitividade, as empresas colocaram em primeiro lugar políticas e legislação previsíveis e coerentes (43%), à frente do investimento público e incentivos (31%) e da disponibilização de energia limpa a preços acessíveis (29%).

“Os líderes empresariais não estão a pedir aos decisores políticos que escolham entre sustentabilidade e competitividade, e chegou o momento de abandonar esta falsa dicotomia. Pelo contrário, estão a exigir regras europeias ambiciosas e estáveis que deem às empresas confiança para investir e inovar. O verdadeiro peso económico resulta de adiar a transição ecológica e de criar incerteza sobre o seu rumo”, concluiu Ester Asin, Diretora do Escritório Europeu de Políticas da WWF.

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